domingo, 18 de dezembro de 2011

VIVER COM POUCO OU COM MUITO?!

Cerca de quase 04 anos atrás, voltando do interior de São Paulo para Florianópolis, entrei em Curitiba e dei carona para meu amigo Luiz, professor da UFPR, doutorando na UFSC e, que cursava espanhol comigo.
Chegando em Florianópolis, levei-o até sua moradia durante o período de Florianópolis. O espaço atingia no máximo 12m2 . Estranhei o tamanho do local já que Luiz moravam em amplo e bonito sobrado em bairro residencial de Curitiba.
Não exitei e questionei o porque daquilo. Luiz sem titubear me respondeu que nas fases da vida, as vezes esquecemos que também é possível viver como pouco.
Essa mensagem me fez pensar e a partir dai, me pego meditando e me gradativamente esta me fazendo mudar a vida.
Hoje, no final da tarde, minha esposa me repassou uma mensagem de Frei Betto, li atentamente e me fez recordar a experiência vivida com o Luiz.
Segue na íntegra o texto a baixo, vale a pena, principalmente estando ás vésperas do vício das compras de final do ano.
Do que você precisa ?
Outro dia, eu observava o movimento do aeroporto de São Paulo: a sala de espera cheia de executivos com telefones celulares, preocupados, ansiosos, geralmente comendo mais do que deviam.
Com certeza, já haviam tomado café da manhã em casa, mas como a companhia aérea oferecia um outro café, todos comiam vorazmente.
Aquilo me fez refletir: "Qual dos dois modelos produz felicidade?"
Estamos construindo super homens e super mulheres, totalmente equipados, mas emocionalmente infantilizados.
Uma progressista cidade do interior de São Paulo tinha, em 1960, seis livrarias e uma academia de ginástica; hoje, tem sessenta academias de ginástica e três livrarias!
Não tenho nada contra malhar o corpo, mas me preocupo com a desproporção em relação à malhação do espírito.
Acho ótimo, vamos todos morrer esbeltos: "Como estava o defunto?". "Olha, uma maravilha, não tinha uma celulite!"
A publicidade não consegue vender felicidade, então passa a ilusão de que felicidade é o resultado da soma de prazeres: "Se tomar este refrigerante, calçar este tênis, usar esta camisa, comprar este carro,você chega lá!"
O grande desafio é começar a ver o quanto é bom ser livre de todo o condicionamento.
Há uma lógica religiosa no consumismo pós-moderno. Na Idade Média, as cidades adquiriam status construindo uma catedral; hoje, constrói-se um shopping-center. É curioso: a maioria dos shoppings-centers tem linhas arquitetônicas de catedrais estilizadas; neles não se pode ir de qualquer maneira, é preciso vestir roupa de missa de domingo. E ali dentro sente-se uma sensação paradisíaca: não há mendigos, crianças de rua, sujeira pelas calçadas...
Entra-se naqueles claustros ao som do gregoriano pós-moderno, aquela musiquinha de esperar dentista.
Observam-se os vários nichos, todas aquelas capelas com os veneráveis objetos de consumo, acolitados por belas sacerdotisas.
Quem pode comprar à vista, sente-se no reino dos céus. Quem passa cheque pré-datado, paga a crédito, entra no cheque especial, sente-se no purgatório. Mas se não pode comprar, certamente vai se sentir no inferno... Felizmente, terminam todos na eucaristia pós-moderna, irmanados na mesma mesa, com o mesmo suco e o mesmo hambúrguer do Mc Donald...
Costumo advertir os balconistas que me cercam à porta das lojas: "Estou apenas fazendo um passeio socrático". Diante de seus olhares espantados, explico: "Sócrates, filósofo grego, também gostava de descansar a cabeça percorrendo o centro comercial de Atenas. Quando vendedores como vocês o assediavam, ele respondia:
"Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz!”
FREI BETTO

Nenhum comentário:

Postar um comentário